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Alexandre Panosso

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Blog Alexandre Panosso
Neste primeiro semestre letivo no Brasil, de fevereiro a julho de 2012, tenho recebido na Universidade de São Paulo o estudante de doutoradoem turismo Adolfo Esteban Arias Castañeda para uma estadia de estudos filosóficos-turísticos. Esteban Arias é aluno da Universidad Autónoma del Estado de México, de Toluca, México, e orientando do prof. Dr. Marcelino Castillo Nechar. A investigação do acadêmico está no campo das reflexões epistemológicas em turismo, daí o seu interesse em vir estudar comigo no Brasil, pois também tento refletir na mesma direção.

Abaixo está um texto seu, que solicitei, para ser compartilhado com os leitores do Boletin.

Agradeço a Esteban o trabalho ao redigir suas reflexões.

Blog de Alexandre Panosso
Lembro-me que quanto tinha uns 12 anos de idade assisti ao filme Fun in Acapulco (1963), estrelado por nada menos que Elvis Presley. Em português, o filme foi lançado com o título “O seresteiro de Acapulco”. Passou na televisão aberta, num desses programas para donas de casa, exibidos no meio da tarde de um dia de semana qualquer. O roteiro tem humor, brigas e romance. Filminho bonitinho.

 

Mas não vou discutir a qualidade do enredo e nem das filmagens, ou o fato de que Elvis não pôs os pés no México para fazer o filme. Quero narrar como um filme feito com o apoio de um governo, no caso o mexicano, 40 anos depois de lançado, ainda pode influenciar positivamente a imagem de um país.

Martes, 22 de Mayo de 2012 07:56

E o turismo no Brasil? Como vai em 2012?

Blog de Alexandre Panosso
Seguimos com nossas análises do turismo brasileiro. Após o crítico ano de 2011 no tema da política nacional de turismo – veja postagens anteriores neste blog –, 2012 promete ser o ano para colocar a “casa em dia”. Logicamente, algumas consequências ainda amargam, como, por exemplo, a não realização do Salão do Turismo, edição 2012 (http://www.salao.turismo.gov.br/salao/home.html). Este é um importante evento de comercialização e de divulgação do produto turístico brasileiro. Outro problema é que ainda não foi publicado o Plano Nacional de Turismo 2011-2014. Quais são as novas diretrizes nacionais do turismo? Queremos saber.

Alexandre Panosso
Faço aqui uma revisão rápida dos acontecimentos políticos pelos quais a gestão nacional do turismo brasileiro passou neste ano de 2011. Baseio-me nas informações da mídia brasileira. Na medida do possível, apresento minha opinião.

Contextualização

O Ministério do Turismo do Brasil foi criado em 2003, logo no início do primeiro mandato do presidente Lula da Silva. Começou tímido, mas por ter um ministro eficaz e eficiente à época, Walfrido dos Mares Guia, ganhou destaque, teve um Plano Nacional de Turismo que privilegiava a inclusão social de forma coerente, e vários programas de ação foram desenvolvidos. O Conselho Nacional de Turismo foi reestruturado, a Embratur passou a ser dirigida por Eduardo Sanovicz, que priorizou ações e elevou os resultados positivos do turismo como nunca havia sido feito antes.

Alexandre Panosso
No início da segunda semana de agosto o Brasil acordou com a notícia que mais de 30 profissionais foram presos preventivamente pela Polícia Federal brasileira, por serem suspeitos de corrupção (desvio de dinheiro público) envolvendo o Ministério do Turismo Brasileiro (MTUR) e a ONG Ibrasi (Instituto Brasileiro de Infraestrutura Sustentável). Entre os presos estavam, nada mais nada menos, que o número dois do MTUR e um ex-presidente do Instituto Brasileiro de Turismo – EMBRATUR.

 

Com esse episódio, a classe de profissionais de turismo, empresários, trabalhadores do trade, estudantes, investigadores, foi pega de surpresa no Brasil, sem entender muito bem o que havia acontecido, mas logo, com a grande cobertura que a mídia nacional deu ao caso, tudo foi ficando mais esclarecido. (Para acompanhar o caso recomento o www.uol.com.br e o www.terra.com.br).

Alexandre Panosso
Neste ano de 2011 estou desenvolvendo, em conjunto com o prof. Dr. Felix Tomillo Noguero (Universidad Europea Miguel de Cervantes e Universidad Antonio de Nebrija), um estudo sobre as fontes teóricas do turismo. Por sua característica peculiar, esta pesquisa envolve buscar também as origens históricas do turismo, principalmente do século XIX até a Segunda Guerra Mundial.

 

Foi esse trabalho que me motivou a ir, recentemente, a Berlim, na Freie Universität Berlin, para consultar documentos no Historisches Archiv zum Tourismus (HAT) [Arquivo histórico de turismo]. O arquivo vem sendo organizado há mais de 10 anos pelo prof. Dr. Hasso Spode, que ainda hoje é o seu coordenador.

Alexandre Panosso
Qual é a importância de se conhecer a origem do conhecimento no campo do turismo? Estou me referindo ao conhecimento técnico-científico turístico que começou a ser produzido já na segunda metade do século XIX, ou mesmo na primeira metade, em regiões de beleza privilegiada e de relativo desenvolvimento econômico, cultural e social, tais como a Suíça, Áustria e Alemanha.

 

Particularmente esses três países formam um dos berços das origens do conhecimento turístico, no século XIX, ainda que alguns autores atuais creiam que o conhecimento turístico passou a ser constituído pouco antes da Segunda Guerra Mundial, ou, um pouco mais cedo, em fins da década de 1920.

“A minha pátria é a língua portuguesa”

Fernando Pessoa, poeta português.

 

“Para encontrar o azul eu uso pássaros”

Manoel de Barros, poeta brasileiro.

 

Alexandre Panosso
A língua portuguesa hoje é falada no mundo por cerca de 240 milhões de pessoas. Em número absoluto de falantes está entre o quinto e o sétimo idioma mais falado, dependendo da análise feita. É a terceira língua européia mais falada mundialmente. Na internet é o sétimo idioma mais utilizado e de acordo com estudos de previsão demográfica, em 2050 serão 335 milhões de falantes deste idioma (http://diario.iol.pt/sociedade/lingua-portuguesa-portugues-ensino-governo-alunos/972503-4071.html).

 

O berço do idioma é Portugal, mais específicamente na parte norte e também em parte do que hoje é a região da Galícia, na Espanha. Se espalhou pelo mundo no período das grandes navegações. Talvez por esta razão, Portugal seja o único país da Europa que tem o português como idioma oficial.

Lunes, 11 de Abril de 2011 14:43

Estudos críticos em turismo

Alexandre Panosso
Os estudos turísticos estão passando por uma revisão das teorias até então desenvolvidas e novas propostas têm sido criadas nos últimos anos. Para a sua comprensão, análises positivistas, sistêmicas, fenomenológicas, marxistas, anarquistas, etc, tem sido construídas. O fato é que poucas se preocupam com a construção de conhecimentos críticos em turismo e visam apenas superar a crítica de conteúdos.

 

A análise tradicional, predominantemente positivista, está focada nos impactos do turismo, nos turistas, nas relações entre turistas e pessoas do local, no funcionamento do “sistema turístico” e nas consequências do fenômeno. Poucas vezes o valor do turismo é discutido. O seu significado desde tempos imemoráveis e para a atualidade; a necessidade dos deslocamentos; o que significa estar em viagem e; qual o significado das viagens. Essas são questões fundamentais para a visão crítica da área, porém ainda não são abordadas com a seriedade necessária por grande parte dos que se dizem investigadores.

Lunes, 14 de Marzo de 2011 09:01

O Carnaval e a imagem do Brasil no turismo

Alexandre Panosso
O Carnaval é um período mágico no Brasil. Quase sagrado. Nessa época do ano praticamente o país pára. É festa de rua, de salão, de ricos, de pobres, de homens e mulheres. Sem dúvidas é a festa mais democrática de nosso país.

 

Roberto da Matta, famoso sociólogo e intelectual brasileiro, escreveu Carnavais, malandros e heróis, obra em que analisou as festas populares, religiosas, a cultura brasileira, e dizia que o Carnaval era o momento em que ocorre uma inversão de papéis: o povo vira elite; a elite vira povo. De certa forma esse padrão se mantém nas festas mais simples, mas com a mercantilização da grande festa televisionada, com certeza isso já está mudando.

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